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sexta-feira, 29 de julho de 2011

O SÍTIO BREJO

Descendentes das Famílias
QUEIROZ e BARREIRA
na Serra de Baturité.

           SÍTIO BREJO GUARAMIRANGA CEARÁ


“O justo anda na sua integridade;
bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.”
Provérbios 20.7

           

O primeiro galho Mattos Brito transplantado para a Serra
encontrou no BREJO, no Guaramiranga e em outros sítios depois adquiridos,
base segura e seiva bastante para desenvolver-se patriarcalmente,
formando também frondosa estirpe...”
(Esperidião de Queiroz Lima – Antiga Família do Sertão)

A sua história documental teve início com alguns datados de 1819, notícias sobre batizados aí realizados...
As extremas tradicionais do Sítio Brejo iam do Labirinto ao Macapá, que então se estendia até o Pé de Ladeira.
Atualmente, a parte mais significativa do ‘Brejo’, a que mais expressa a centenária existência deste sítio, está nas mãos dos herdeiros de Arcelino de Mattos Brito, e a eles cabe completar estas notas de relance, que visam apenas demonstrar a antiguidade e memorável história de um sítio tradicional da Serra de Baturité.”
(Vinícius Barros Leal – História Territorial do Maciço de Baturité)


Nas terras férteis do Sítio Brejo, nasceu e prosperou a grande FAMÍLIA MATTOS BRITO.
Consta em antigos documentos, batizados e casamentos aí realizados que, a 25 de fevereiro de 1812, já residia nessas terras do Sítio Brejo Balthazar Luís da Costa, neto do comerciante português Balthazar Lopes Barreira, natural da freguesia de Chaves, em Bragança, Portugal. Considerado o patriarca da família, Balthazar Lopes Barreira casou (em 16/04/1733) com Antônia da Silva e Sá Barbosa (neta da índia Piaba de Cunhaú) e se estabeleceu na ribeira do Pirangi, fundando aí a grande e famosa Fazenda do Quixinxé.
(Ver detalhes dessa história no livro Antiga Família do Sertão – Esperidião de Queiroz Lima).

Tempos depois, tomou posse de uma parte do sítio um primo seu, José Lopes Barreira Junior (avô materno do Cel. Chichio), casado com sua prima carnal Helena Izabel de Jesus Queiroz, da Fazenda Santa Maria, sediada na ribeira do rio Sitiá em Quixadá. Dessa união nasceram dez filhos, sendo nove homens e uma única mulher, Izabel Maria de Jesus Queiroz, filha caçula, nascida em 17 de julho de 1824, que casou-se com o português Antônio de Mattos Brito, natural da Província de Guimarães, em Portugal (hoje, cidade de Guimarães, mais conhecida como “cidade berço” por ter sido a primeira capital do Condado Potucalense).
O casal teve dois filhos: José, nascido em 1862, e Francisco (Queiroz) de Mattos Brito (meu bisavô materno) nascido em 19 de fevereiro de 1865.
Francisco (Chichio) tinha apenas dez anos de idade quando morreu seu pai, em 1875, deixando sua mãe viúva com os dois filhos ainda criança, e essa única propriedade – O Sítio BREJO.

Por esse tempo, assumiu a administração do sítio e a tutela dos sobrinhos, Marcolino João de Queiroz, um dos irmãos de Izabel.
José, o filho mais velho, faleceu cinco anos depois de seu pai, aos 18 anos de idade.
Enquanto isso, Marcolino havia se descuidado do sítio e contraído muitas dívidas em nome da propriedade. Francisco (Chichio) era o filho mais novo e havia completado os seus 22 anos vendo toda aquela situação se agravar, as dívidas crescendo e o que restou das terras deixadas por seu pai cada vez mais abandonado. Resolveu então que era hora de tomar posse de sua herança e, numa atitude audaciosa, juntamente com sua mãe Izabel, a “Vó Bela”, seguiu pra Fortaleza, procurou o Barão de Ibiapaba e hipotecou o Sítio Brejo por vinte contos de réis, em 22/03/1887, a serem pagos em dez prestações (de dois contos de réis ao ano) a partir de 1º de dezembro desse mesmo ano.


Traslado da Escritura de Hipoteca
Página 01
Página 09 - Final
Com o dinheiro em mãos, o vovô Chichio saldou todas as dívidas contraídas pelo tio e, sozinho, se empenhou trabalhando com afinco e determinação, enfrentando extremas dificuldades para honrar criteriosamente o compromisso assumido com a hipoteca do sítio.
No dia em 1º/12/1894, prazo em que se vencia a oitava parcela dessa hipoteca, Francisco de Mattos Brito já era homem feito. Tinha 29 anos de idade quando se casou com sua parenta Adelaide Queiroz, na fazenda Califórnia, em Quixadá, e vieram morar na antiga casa do Sítio Brejo.


Francisco de Mattos Brito (Chichio)
(19/02/1867-16/01/1948)

Coronel Chichio


NON FUIMOS, NON SUMUS, ET QUI NUNQUAM OBLITI ERIMUS.” 

 (Não fomos, não somos, e nunca seremos esquecidos.)  

Adelaide Queiroz de Mattos Brito
(05/05/1974-22/05/1952)

Adelaide com o irmão Daniel


No SÍTIO BREJO eles permaneceram até o final do ano seguinte, quando morreu o seu sogro, o Dr. Arcelino de Queiroz Lima, dono da fazenda Califórnia, em Quixadá, deixando viúva a Vozinha Rachel (aos 43 anos de idade), filha do Cel. João Batista Alves de Lima e de Joanna Batista de Queiroz, donos do Sítio Guaramiranga e avós de Adelaide (minha bisavó materna).
O Cel. Batista e dona Joaninha, sendo primos legítimos, eram ambos sobrinhos de Joanna Batista de Queiroz Barreira, que ficou conhecida como ‘dona Joaninha do Tapuiará’, viúva de Luciano, assassinado na Fazenda Cachoeira, em Uruquê - Quixeramobim, no dia de seu casamento (ver capítulo Bodas de Sangue).
Depois da morte do Dr. Arcelino, os dois velhinhos cansados de lutar e desanimados com a crise da cafeicultura que aniquilava a Serra, concordaram em abandonar a propriedade serrana e se mudaram para a Fazenda Califórnia, onde vivia sua única filha, Rachel de Queiroz Lima e os netos.

Sítio Guaramiranga estava hipotecado pelo Cel. João Batista desde 1901, por cinquenta contos de réis. E naquele momento a propriedade se encontrava afogada em dívidas que só seriam liquidadas alguns anos depois, quando o vovô Chichio assumindo todos os débitos, em 6/11/1904 adquiriu o sítio e reergueu não só o Sítio Guaramiranga, mas a cafeicultura de toda a Serra de Baturité, com a introdução e o plantio da ingazeira sombreando os antigos e velhos cafezais.
Saindo do Brejo, o casal Chichio e Adelaide instalou-se na Vila de Conceição (Guaramiranga), inicialmente num sobradão antigo, pertencente à dona Libânia de Holanda, no início da rua que hoje tem o seu nome:
Rua Cel. Francisco de Mattos Brito.

Primeiro Sobrado - Coronel Chichio sentado ao centro, com os filhos


Família MATTOS BRITO no dia do casamento
de CLÉA com João Carvalho,
primeira filha do casal Chichio e Adelaide.
Em pé, da esquerda para a direita:

Nestor, Alice, Elsa (Irmã Germana, depois Irmã Maria Luiza), Antônio, Aúrea, Cléa, João Carvalho (noivo de Cléa), Jorge, Maria Adelaide (Irmã Brito) e Arcelino.
Sentados: Lúcia, Zélia, Adelaide, Coronel Chichio, Nilda e Cira.

O Cel. Chichio adquiriu depois outro sobrado nessa mesma rua, onde funcionou o antigo colégio do Padre Frota. Nessa casa que todos chamavam “a casa da VOVÓ”, eles permaneceram até a morte.
Coronel Chichio com os filhos
Da esquerda para direita:
Nestor, Brito, Chichio, Napoleão (genro), Jorge e Arcelino.





 “Quando tio Chichio se casou com tia Adelaide, foram morar no Brejo, um sítio que ele herdara de tia Bela... Quando nosso avô Arcelino morreu... o avô João Batista (nosso bisavô – pai do Dr. Arcelino) que já era um homem velho, foi morar com a vozinha Rachel, na Califórnia... ajudar a criar os netos – os dez netos. Como não podia mais cuidar do sítio da serra, fez um negócio de pai para filho com o tio Chichio, que se tornou então o dono do Guaramiranga... No limite do sítio, logo no começo da rua da Conceição, em Guaramiranga, ficava um sobradão que pertencia a d. Libânia Holanda. Devia ser uma edificação colonial, pois já era muito antiga por esse tempo. Então, tio Chichio, que detestava fazer casa – dizia que casa só alugada ou herdada –, alugou o sobradão pagando cem mil réis por mês... eu me lembro bem dele: um casarão com doze salas espalhadas... era o nosso ponto de referencia. Era lá que nos encontrávamos todos, era lá o ensaio dos ‘dramas’, as festas...
Foi quando tomei consciência da família, pois até então tinha morado no Pará. Consciência dos primos – Brito morava ainda aqui no Rio, estava estudando. E conheci o Celino, que se tornou meu galã, meu paradigma, a pessoa por quem fui tomada da maior admiração e fascinação... Com quinze anos abandonou os estudos (tio Chichiu adoecera e viera se tratar no Rio) e assumiu a direção das fazendas, dos sítios, de tudo.”

(Rachel de Queiroz – Tantos Anos )


O vovô Chichio e a vovó Adelaide tiveram 16 filhos (3 deles faleceram ainda criança), criaram-se 13, sendo 9 mulheres e 4 homens:
Cléa, Arcelino (meu avô), Elsa (que recebeu o nome de Irmã Germana e depois, Irmã Maria Luiza), Antônio (Brito), Maria Adelaide (Irmã Brito), Jorge, Alice, Áurea, Nestor, Nilda, Lúcia, Cira e Zélia.

Coronel Chichio foi um homem que, embora modesto e de poucas letras, viveu intensamente, dando tudo de si à terra que o viu nascer.

Para ele foi o trabalho uma religião que professou desde a infância até o seu último dia de vida...

E foi trabalhando a terra com seu esforço e luta que conseguiu reunir consideráveis bens de fortuna, conquistando uma posição de destaque no meio em que viveu, e, pela retidão de sua conduta e caráter, formou um invejável patrimônio moral, do qual só temos que nos orgulhar.
Era um líder na sua família, um empreendedor na agricultura serrana, com a introdução da ingazeira nas plantações de café, nas experiências feitas com sisal, “bicho da seda” e tantas outras... Orientava com idoneidade e desenvoltura a todos que lhe procuravam em busca de seus conselhos para os assuntos de negócio e de família, coisa que ele fazia com segurança e desenvoltura. Seus conhecimentos, no entanto, não se limitavam ao cultivo e beneficiamento do café na serra. No sertão de Quixadá, além de próspero produtor de algodão, o Cel. Chichio se destacava entre os fazendeiros como experiente criador de gado.
Foi um pioneiro quando implantou a primeira hidrelétrica da Serra de Baturité, a terceira do Ceará. Em 1918 já estava instalado no Sítio Guaramiranga, um motor a vapor (locomóvel) que, durante o dia acionava a máquina de pilar café, e à noite, um gerador que fornecia energia à então Vila de Guaramiranga.

“Era um chefe, um líder autêntico. Sua palavra, em qualquer sentido, era a fronteira entre o sim e o não, o impasse e a decisão, o empenho, a lei, a ordem e a sentença... Juiz sem toga, resumia na força de sua personalidade todo um processo de equilíbrio que sustentava Guaramiranga dentro de uma ambiência de paz e concórdia.
Era governo sem os títulos oficiais... Dono de um coração sem fronteiras, Francisco de Mattos Brito possuía um cetro de liderança que se impunha sem ostentação e sem imposições. Respeitado e acatado, nunca usou de violência para impor-se ou afirmar-se. Bondoso, sem ser piegas, tinha consciência de sua dimensão como chefe e líder, na sua passagem jamais se despiu das marcas que lhe conferiam a qualidade de comandante...” (Regina Stela Studart Quintas)

Com muita luta e trabalho o Cel. Chichio adquiriu assim várias propriedades na serra e no sertão: Sítio Guaramiranga, São Pedro, Iracema, Riacho Fundo (depois Guarani) e Boágua, na Serra de Baturité (O Sítio Labirinto, vizinho ao Brejo, foi adquirido por seu filho Arcelino).
E as fazendas: Junco, Campestre, Lagoa da Rede, Bonito (na Serra Azul, hoje Ibaretama), e São Luiz, em Quixadá. Muitas dessas propriedades ainda permanecem com os seus descendentes.

Foi prefeito nomeado de Guaramiranga (de 25/10/1921 até meados de 1928) e dono do primeiro automóvel “Dodge” a chegar ao Ceará, que era dirigido pelo meu avô Arcelino.
A VILA de CONCEIÇÂO absorveu o nome do Sítio, em torno do qual ela sobrevivia.
O vovô Chichio faleceu ainda muito lúcido, aos 84 anos de idade, em 16/01/1948 (doze anos após esse dia, em 16/01/1960, nascia, na casa do Sítio Brejo, sua bisneta Germana de Mattos Brito Góes, filha de Maria Emília e Zelito).

Minha bisavó ADELAIDE e eu.
 Vovó Adelaide, ficou muito abatida com a morte súbita de um genro e de mais dois netos, sofrendo um grande abalo com o repentino falecimento de seu filho Brito, seguido da morte de Chichio, seu dileto e querido companheiro... Faleceu aos 79 anos, em 22/05/1952 (no dia 22/05/1987, nascia em Fortaleza George Henry Góes Ferreira Costa, meu sobrinho, um dos netos de Maria Emília e Zelito).


Arcelino (Queiroz) de Mattos Brito


Arcelino na casa do Sitio Guaramiranga
Noemi Castello Branco Lopes



Arcelino de Mattos Brito – meu avô, nascido em 22 de dezembro de 1896, no Sítio Brejo, segundo filho do casal Chichio e Adelaide, e o mais velho dos homens, seguiu à risca o exemplo de seu pai, e aos quinze anos abandonou os estudos para ajudá-lo na administração das propriedades. Era o seu braço direito. Casou aos 31 anos de idade (em 27/01/1928), com Noemi Castello Branco Lopes, filha de José Adriano Lopes e Maria Emília Castelo Branco Lopes, donos do Sítio “Ladeira Cavada”, hoje denominado de ‘Sítio Santo Antônio’, em Pacoti.

Depois do casamento eles foram morar na nova casa do Sítio Brejo, construída por ele, no mesmo local da antiga casa onde nasceu seu pai, Cel. Chichio, e ele próprio, Arcelino.
Mantendo a tradição da família, deu continuidade à produção da Aguardente BREJO, modernizando toda a estrutura do alambique e o seu processo de fabricação e destilação.
(Essa postagem ainda está sendo concluída...)





ARQUIVO FOTOGRÁFICO:


ARCELINO e NOEMI na Fazenda JUNCO - Quixadá - Ceará
Lúcia e Napoleão - 23/01/1947
Jorge e Anita
Maria Clara (Iká) e os irmãos

Coronel Chichio no sitio BREJO
Da esquerda para direita:
Arcelino, Noemi, Chichio e Napoleão.
Criança de trança: Elsa, filha de Arcelino e Noemi.


Coronel Chichio com os netos
  
Coronel Chichio com filhos e netos




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